Bandejão da USP

Mesmo quem não mora em São Paulo já ouviu falar da USP: a maravilhosa universidade de São Paulo. Como toda universidade pública a USP também tem um restaurante universitário que serve refeições a preços muito agradáveis ao bolso dos estudantes e de quem trabalha por lá. A comida não é lá essas coisas, mas fazendo a equação custo/benefício compensa.
Como toda universidade o restaurante universitário, carinhosamente chamado de bandejão, tem suas lendas e verdades. Pois bem, no meu último passeio pelo Orkut eis que me deparo com uma comunidade fantástica, senão pela qualidade dos textos ou da discussão acadêmica, pelos tópicos e o conteúdo deles: simplesmente hilário.
A comunidade Bandejão da USP mostra que bandejão também é cultura! Eu comecei a ler os tópicos e não parei de rir: primeiro porque as piadas são boas, segundo porque boa parte do que está lá é verdade. Claro que o pessoal costuma aumentar algumas coisas, mas a comida de lá não dá para comer e dizer “hum, que delíia”. Eu digo isso por experiência própria, pois durante o período em que estudei lá, acho que no total um ano e meio, comia lá regularmente e estou viva e bem. Às vezes até dava para dizer que acomida estava gostosinha. Além do mais satifaz e cabe no bolso.
Sobre a comunidade, ela apresenta vários tópicos sérios discutindo o preço, as mudanças, e outras coisas, mas há dois tópicos que estão logo no topo que me chamaram a atenção e vale a pena ler: Jogo do ou do Bandejão (assim mesmo só com maiúsculas) e Dicionário Bandejês – Português Michaelis. O primeiro é uma brincadeira onde você tem que escolher entre dois pratos do bandejão: há os pratos de sempre, algumas coisas mais sofisticadas (?) de lá e outras que quem come merece prêmio. O segundo é o melhor: traduções dos nomes dos pratos que aparecem lá para o “real” significado e outros que o pessoal inventa.
Resolvi fazer uma lista com os melhores do tópico e aproveito para acrescentar algumas coisas esquecidas, como a maria-mole, que segundo alguns era crocante porque tinha sapóleo e eu digo que não, que ela era a coisa mais grudenta que já vi na vida, visto que presenciei a cena onde uma amiga virou o prato e a maria-mole continuou grudada nele, mesmo ela chacoalhando o prato. Aí vai a lista:
– Gelatina de maçã, limão e neutro ou gelatina de vermelho, verde e amarelo (não citada no tópico da comunidade, mas que merece menção aqui);
– Bife 007= frio, duro e com nervos de aço (um clássico lá);
– Carne à fantasia= animais de circo ou animais sortidos;
– Salada Disneylândia = salada cheia de bichinhos;
– Iscas de frango = frango atropelado ou milho;
– Suco de laranja = suco de amarelo ou suco de drops (isso do drops é adendo meu, porque parece que eles colocam um drops sabor laranja, limão ou uva e dissolvem em vários litros de água);
– Suco de uva = suco de roxo ou suco de gelatina;
– Salada = capim da reitoria;
– Iscas de peixe = minhoca;
– Frango = aparece no cardápio quando as pombas sumiram do CRUSP;
– Pão = pedra assada; uso: você coloca do lado da salada e assim os bichinhos saem da salada e vão comer o pão e você pode sua salada;
– Bife à cigana = mais duro e borrachudo que a sola dos pés dos ciganos que andam descalços;
– Frango ao molho de maracujá/mostarda= ambos são meio azedos, parecem estragados (ainda assim são comíveis). O melhor de tudo é a crocância obtida nos altos fornos da Vale do Rio Doce, que geram uma dureza estilo rapadura, inigualável;
– Arroz canravalesco = só sai em bloco;
– Feijão chuííí-Plim-Plim = quando você vira a concha na bandeja, você escuta 1 litro de caldo cair… (o chuííííí), e depois uns dois ou tres feijões cairndo (o Plim-Plim);
– Carne moída a Fantasia = eles pegam qualquer coisa e tentam fantasiar de carne;
– Carne ao molho madeira = madeira ao molho de carne;
– Frango à caçadora = come e sai caçando um banheiro;
– Manjar com jumping effect = você bate a colher no meio e as bordinhas sobem e, ao retirar a colher ele volta pro mesmo lugar;
– Filé de peixe ao molho mostarda = peixe ao molho de marca-texto;
– Arroz doce = arroz cru com creme doce pra disfarçar;
– Strogonoff = strogonervo ou strogonoff de nervos;
– Arroz cardeal: quase papa;
– Asa de frango = asa de pterodátilo;
– Lagarto ao molho Roty = coxão-duro ao barro cozido;
– Feijão corona= uma ducha de agua quente;
– Bisteca bovina = filé de brontossauro;
– Polenta líqüida = angu;
– Ovos fantasia = mexidinho;
– Bife acebolado = sem cebola;
– Coxa ao maçarico = coxa crocante que não dá nem pra espetar o garfo;
– Almôndegas Kinder-Ovo = sempre tem uma surpresa no meio;
– Bisteca Bovina= borda de osso com osso em volta;
– Batata sauté = batata quase, muito quase, frita;
– Ovo poché = ovo plastificado.
Antes que eu esqueça há histórias que parecem lendas, mas que amigos meus presenciaram: já teve morango com chantilly no bandejão sim, no da Física inclusive; já teve figo, sim figo que é caro, no bandejão em 1993. Incrível, mas aconteceu.

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